Sida: sociedade civil, médicos e investigadores juntos pelo diagnóstico precoce


O ‘Movimento é melhor saber’, criado esta quinta-feira por várias organizações de luta contra a sida, defende o “diagnóstico precoce e atempado” do VIH como a melhor forma de controlar a evolução da infecção e evitar o contágio, avança a agência Lusa.
A viver com sida há 16 anos, Luís Mendão contou, durante a apresentação do movimento, que já estava “no último momento” quando lhe foi diagnosticada a doença.
“Apanharam-se pelos cabelos quando estava a desaparecer”, adiantou o presidente do Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/Sida (GAT), que acredita que pode haver “uma nova geração sem sida”.
Contudo, Luís Mendão está convicto de que só investindo muito no diagnóstico precoce, realizando-os “tão cedo quanto possível”, se pode “controlar a transmissão do vírus”.
“É preciso que se saiba onde se pode fazer o teste e que os serviços de saúde proponham a sua realização àqueles que ainda estão em maior risco do que os outros”, defendeu, considerando absolutamente essencial que haja uma via verde para as pessoas terem o melhor acesso aos cuidados de saúde.
Presente na cerimónia de apresentação do movimento, o Coordenador Nacional para a Infecção VIH/sida afirmou que “é eticamente condenável promover a realização de exames senão estiver montado um sistema que responda inequivocamente ao resultado desses exames”.
“Não podemos propor rastreios se não tivermos as condições no terreno que levem a que as pessoas não tenham as suas expectativas frustradas. Se o fizermos estamos a castigar ainda mais a vítima e isso é o género de coisa que não se deve arriscar”, sublinhou Henrique Barros.
“Temos de garantir que, ao dizer à pessoa você deve saber, faça o teste, ela tem uma via verde, [ou seja] a possibilidade de ter rapidamente uma confirmação do seu resultado e um plano para o seu tratamento e os cuidados que necessita para o apoio social que, mais cedo ou mais tarde, vai precisar”, justificou.
Henrique Barros salientou a importância de as pessoas terem a noção de que a situação se previne usando preservativo e não utilizando seringas de outras pessoas.
Defendeu igualmente que as pessoas devem realizar o teste quando tenham estado numa situação verdadeiramente de risco.
“O teste não nos protege, o teste apenas nos diz se estamos ou não infectados”, acrescentou.
Em declarações à agência Lusa, Margarida Martins (associação Abraço), salientou a importância deste movimento, que integra a sociedade civil, os médicos, investigadores e laboratórios.
“É um movimento de mobilização para o diagnóstico para as pessoas conhecerem o seu estado precoce sobre o VIH/sida”, adiantou, lamentando que neste momento, “lamentavelmente”, estejam a chegar pessoas “muito tardiamente aos hospitais e, muitas vezes, sem hipótese de tratamento”.
“Pior do que não saber que temos a doença é transmiti-la a alguém de quem gostamos”, acrescentou, por seu turno, Fernanda Freitas, porta-voz do movimento.

LUSA – 16.11.2011

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