Vila Nova de Gaia: Agência Piaget para o Desenvolvimento quer diminuir exclusão com “mais cidadania”


O princípio é simples: ir ao encontro dos mais desprotegidos da sociedade portuguesa, travar a erosão da cidadania provocada pela exclusão e aproximar os indivíduos dos seus direitos, sejam pobres, consumidores de droga ou trabalhadores do sexo.

É esta a batalha que a Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES) trava desde 2004 em Portugal mas integrada numa rede europeia de organizações que apostam no trabalho técnico qualificado para levar o desenvolvimento a áreas constituídas por indivíduos ou grupos mais fragilizados.

Pobreza rima com “sul” na batalha planetária pelo desenvolvimento, por ser no hemisfério norte onde se concentram as sociedades mais ricas, mas a APDES, com sede em Vila Nova de Gaia, bate-se, há oito anos, para diminuir, na geografia social portuguesa, o “muito sul” que ainda tem.

José Queiroz, coordenador nacional da APDES e psicólogo com especialização em Ciências de Comportamentos Desviantes, em conversa com a agência Lusa, di-lo de forma clara: “Basta olhar em volta para perceber que existe muito sul (pobreza, exclusão) nas sociedades do norte (conotadas com graus de desenvolvimento mais elevados), como é o caso de Portugal”.

E é a partir desse olhar que se desenvolve, há quase uma década, todo o trabalho desta agência que nasceu a partir do Instituto Piaget e que tem nos resultados obtidos a única preocupação, a partir, como sublinha o seu coordenador nacional, da criação de “uma consciência crítica forjada a partir do diálogo” sempre com a “ideia do bem associada ao desenvolvimento e chegar ao `outro´ sem as grilhetas do moralismo”.

Foi, partindo desta plataforma de entendimento, que a APDES viu nascer a si acopladas algumas “células” como a Check In, cuja ação se dirige com maior detalhe aos consumidores de drogas em ambientes festivos, o GiruGaia, para os consumidores de rua, ou, entre outros, o Porto G, que se dirige aos trabalhadores do sexo com o objetivo de prevenir o contágio por VIH/SIDA, tendo estes projetos diversos apoios institucionais como o ex-Instituto da Droga e da Toxicodependência ou do Alto Comissariado para a Saúde.

Neste conjunto de projetos, mais de uma dúzia, alguns são totalmente novos em Portugal e já permitiram à APDES constituir-se como conselheiros do Conselho da Europa e estar na génese de iniciativas semelhantes, como coordenadores, em países como a Itália.

Um dos mais inovadores é o Cheking, associado ao Check In, que permite, sob autorizações específicas, nomeadamente da polícia, instalar pequenos laboratórios, com técnicos qualificados, para testagem da qualidade das drogas, permitindo aos elementos do Check In ter em mãos informação mais consolidada no momento de explicar aos consumidores as eventuais consequências da utilização de drogas como a cocaína ou ecstasy ou as frequentes adulterações com substâncias perigosas.

Tudo isto, como aponta o coordenador nacional da APDES, José Queiroz, é erguido sob a perspetiva de “fazer sentido para o outro”, porque, como ficou claro na conversa com a Lusa, “os técnicos dos diversos projetos têm sempre presente que o moralismo não faz parte da sua ação”.

Isso mesmo aconteceu, por exemplo, com a criação da CASO, que é a primeira associação criada em Portugal, em Vila Nova de Gaia, por consumidores e ex-consumidores, onde a APDES está apenas como sócia, deixando à direção todo o trabalho a desenvolver, sendo apenas de facilitador o papel desempenhado pela agência.

E, como sinaliza ainda José Queiroz, não são apenas as franjas da sociedade com visível grau de exclusão ou marginalização que são parte do tal “sul” associado ao subdesenvolvimento, também questões como a informação sobre a forma como as pessoas estão “expostas ao sistema financeiro, como os bancos” e os seus “empréstimos fáceis” que geram exploração, estão no centro das atenções da APDES.

O que, no fim da linha, a APDES almeja é que a “conquista de uma consciência cívica alargada” permita, num país como Portugal, geograficamente inserido numa Europa conotada com a opulência do norte, ir limpando as “largas manchas” de “sul” que tem no seu interior.

Sapo notícias- 12.12.2012

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