Mundo árabe oculta epidemia de Sida


Especialistas alertam para uma epidemia de Sida em crescimento no mundo árabe, dominado pelo estigma social, pela inércia dos governos e por um acesso frequentemente limitado à educação.
“No Médio Oriente e no Norte de África, a epidemia de VIH tem crescido na última década”, afirmou Aleksandar Bodiroza, conselheiro sobre VIH/Sida no Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP). “O número de pessoas que precisam de tratamento na região passou de, aproximadamente, 45 mil em 2001 para quase 160 mil, em 2010”, disse Aleksandar Bodiroza à agência de  notícias France Press.
“Esta situação faz do Médio Oriente e do Norte de África as duas regiões onde a epidemia de VIH cresce mais rapidamente”, salientou Aleksandar Bodiroza.
Um relatório da Organização das  Nações Unidas divulgado recentemente refere que o número de pessoas infectadas com o vírus e as mortes relacionadas com Sida diminuíram em todo o mundo graças à difusão do tratamento.
Mas essa tendência não se verifica no mundo árabe, onde as taxas de portadores do VIH e de mortes relacionadas com a Sida aumentaram e a consciencialização pública, a resposta dos governos e o acesso aos serviços médicos adequados registam um progresso lento.
As Nações Unidas calculam que no Médio Oriente haja 350 mil pessoas com o vírus do VIH e 570 mil no Norte de África. Um estudo divulgado recentemente revela que a taxa de infecção entre homens que têm relações sexuais com homens é no Cairo, capital do Egipto, de 5,7 por cento e de 9,3, em Cartum, capital do Sudão.
Enquanto alguns países dão pequenos passos para enfrentar um problema crescente, mas silencioso, a vergonha e o estigma dão poucos sinais de ceder numa região onde as relações homossexuais e antes do casamento são consideradas crime. Este estigma passou a ser algo normal para um jovem de Beirute, de 29 anos, que há três sabe que é seropositivo: “Se resumisse numa palavra a minha vida dizia que é um grande segredo”. As infecções concentram-se normalmente em pessoas que pertencem a grupos de alto risco, incluindo utilizadores de drogas injectáveis, homossexuais, profissionais do sexo e os clientes.

Vida dominada pelo segredo

“A vida de quem têm HIV é muito difícil. Sofre-se com a incapacidade de falar livremente sobre a doença com as pessoas mais próximas. Há casos em que indivíduos chegaram a ser expulsos da família”, disse Brigitte Khoury, psicóloga clínica do Centro Médico da Universidade Americana de Beirute. 
“Embora algumas famílias dêem apoio, trata-se de uma vida dominada pelo segredo, pelo engano e pelo medo do pior”, declarou.
Este medo, garantem especialistas, afasta muitos seropositivos da procura de um tratamento.
“O estigma e a discriminação estão entre as principais razões para pessoas com VIH ou populações chave com maior risco de infecção não terem acesso ao serviços essenciais de tratamento”, referiu a psicóloga.
Muitos países árabes exigem que estrangeiros façam exames de VIH antes de lhes conceder vistos ou cartões de residência.
Um jornalista sul-africano foi recentemente deportado do Qatar e demitido da TV Al-Jazera por lhe ter sido diagnosticado VIH.
A organização Section27, com sede na África do Sul, pediu à delegação do Qatar na Organização Internacional do Trabalho (OIT) que formalizasse uma queixa contra aquele país, algumas nações da região mais liberais denunciaram o problema e o Egipto e o Líbano lançaram uma campanha nos órgão de comunicação social.
A Sida é uma doença que foi descoberta em 1981 por médicos americanos e franceses.
Desde o aparecimento da doença, já morreram mais de 20 milhões de pessoas vítimas da doença, anteriormente visto como enfermidade dos toxico-dependentes e de homossexuais, rótulo que foi desaparecendo com o surgimento de casos de pessoas que não pertenciam a estes dois segmentos sociais.
Até hoje, a comunidade científica mundial continua  à procura de uma vacina terapêutica ou preventiva  para a Sida, uma doença que mais atinge o continente africano, onde existem milhões de casos.

Jornal de Angola- 12.12.2011

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