Novos dados da aids no Brasil: epidemia continua crescendo entre jovens gays, travestis e adolescentes do sexo feminino


Ao longo dos últimos 12 anos, a porcentagem de casos de aids na população em geral de 15 a 24 anos caiu, enquanto nos gays da mesma faixa etária houve aumento de 10,1%. Entre os jovens gays de 18 a 24 anos, por exemplo, a prevalência da doença é de 4,3%. Quando comparado com toda a população jovem, a chance de um jovem gay estar infectado pelo HIV é 13 vezes maior. 

Esses números levaram o  Ministério da Saúde a priorizar este público na campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids. A ação com o slogan “A aids não tem preconceito. Previna-se”, reforçará a necessidade de se discutir questões relacionadas à vulnerabilidade ao HIV entre jovens gays de 15 a 24 anos e entre soropositivos.

De 1990 a junho de 2010, houve um aumento de 25,2% a 46.4% nos casos de aids entre homens que fazem sexo com homens. “Os números mostram a importância das ações com os públicos mais vulneráveis, sem perder de vista a população geral”, disse o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco.

De acordo com o Boletim Epidemiológico, entre os jovens de 13 a 19 anos, a incidência da doença é maior nas mulheres do que nos homens. Em 2010, para cada grupo de 100 mil adolescentes, registrou-se 2.9 casos da doença entre elas e 2,5 entre eles.
Futuras campanhas

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou que é preciso aproveitar ao máximo as diferentes possibilidades de dialogar com os jovens. “Vamos fortalecer as ações publicitárias nas redes sociais, um importante espaço de comunicação e troca de informações; nos espaços de maior concentração desse público; além de trazer os jovens para serem protagonistas das campanhas”, explicou.

Padilha também afirmou que as ações levarão em conta a diversidade regional. “Não é possível pensar em uma campanha única em um país tão diversificado como o nosso.”

Na avaliação do representante do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas para  o HIV e Aids) no Brasil, Pedro Chequer, o País é eficiente na realização das campanhas. “Diferente do que ainda acontece em alguns Países, no Brasil não há ações moralistas. As campanhas sempre defenderam o uso da camisinha”, disse.

Ainda segundo Chequer, “as pesquisas nacionais mostram que a população tem alto índice de conhecimento sobre com se prevenir do HIV, mas o comportamento seguro está ligado a diversos fatores, como a educação na escola, e não somente às ações governamentais”.

Combate à transmissão vertical

De acordo com os dados oficiais, o principal avanço no combate à epidemia é relacionado à transmissão vertical do vírus. Entre os menores de cinco anos, a taxa de incidência caiu 41% de 1998 a 2010, passando de 5,9 para 3,5 casos por 100 mil habitantes. O coeficiente de mortalidade também diminuiu em 62,5% (em 1998, o coeficiente de mortalidade era de 1,6 por 100 mil habitantes, baixando para 0,6 em 2010).

O ministro da Saúde destacou que a queda dessa forma de infecção ocorreu principalmente por causa do aumento da oferta de testes rápidos de HIV e do programa Federal Rede Cegonha, criado pela presidenta Dilma Rousseff para promover o atendimento integral e humanizado às gestantes e crianças.

“O combate à transmissão vertical ajuda também no diagnóstico precoce do vírus da aids, pois assim fica mais fácil identificar o parceiro soropositivo”, disse Padilha.

Outros números

Os dados divulgados pelo governo também apontam que a prevalência (estimativa de pessoas infectadas pelo HIV) da doença permanece estável em cerca de 0,6% da população, enquanto a incidência (novos casos notificados) teve redução de 18.8/100 mil habitantes em 2009 para 17,9/100 mil habitantes em 2010. Existem 608.230 casos acumulados da doença no País.

Regiões

O maior número de pessoas com aids está concentrado na região Sudeste com 56,4% dos casos, seguido da Sul (20,2%), Nordeste (12,9%), Centro-Oeste (5,8%) e Norte (4,6%).

Em 2010, a região Sul apresentou a maior taxa de incidência (28,8 casos a cada 100 mil habitantes), seguida do Norte e Sudeste, que registraram taxas de 20,6 e 17,6, respectivamente. Para a região Centro-Oeste a taxa foi de 15,7

Sexo

De 1980 até junho de 2011, foram identificados 397.662 (65,4%) casos de aids no sexo masculino e 210.538 (34,6%) no sexo feminino.

Categoria de exposição em adultos

Em 2010, entre adultos do sexo masculino, a maior proporção dos casos de aids foi na categoria de exposição heterossexual (42,4%) sendo que a
proporção dos casos na categoria de usuários de drogas injetáveis foi de 5,0% para o mesmo ano.

Agência Aids – 28.11.2011

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

  • Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

    Junte-se a 24 outros seguidores

%d bloggers like this: