Uma campanha para matar a esperança


Há um corpo deitado. O corpo de uma mulher sobre uma mesa de autópsia. Maltratado, frio, sem vida. Uma voz masculina interroga: “Quantos pedidos de desculpa acabaram assim?” A campanha promovida pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) foi ontem lançada no Hospital Amadora-Sintra, em Lisboa. Não por acaso. “As vítimas de violência doméstica conhecem muito bem os hospitais”, esclareceu, ainda na véspera, a secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais. É um apelo às mulheres para quebrarem o ciclo de violência, que, segundo os especialistas, tem três fases: primeiro, por uma qualquer razão, o agressor acumula tensão; depois, descarrega na vítima; por fim, descomprime-se e, aí, amiúde, faz juras de amor, pede desculpa, promete que não voltará a acontecer. O objectivo declarado da campanha é: “Acabar com a esperança”, a esperança que o agressor mude, a esperança que o agressor pare de agredir. Concebida por uma grande agência de comunicação, a mensagem vai agora propagar-se através de anúncios de imprensa, televisão, rádio, mupis espalhados nas principais cidades, traseiras de alguns autocarro de Lisboa e Porto, banners em sites. Tudo pro bono, como faz questão de dizer Teresa Morais. “Esta é a campanha mais forte e mais barata de sempre”, afiança.

Ana Cristina Pereira/Público – 26.11.2011

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