Medicamentos biológicos reduzem internamentos, cirurgias e baixas


Os doentes que fazem tratamentos com medicamentos biológicos têm menos internamentos, menos cirurgias, menos baixas médicas e mais qualidade de vida, além de gastarem menos dinheiro, revela um estudo inédito.
Desenvolvido pela Plataforma Mais Saúde (PMS), que congrega quatro grupos de doenças auto-imunes, o estudo pretendeu analisar o consumo de medicamentos biológicos (produzidos a partir de células vivas com recurso a métodos de biotecnologia) e o seu impacto na qualidade de vida e custos para o doente.
As principais conclusões apontam para uma redução do número de internamentos e de cirurgias e um menor recurso a baixas médicas para doentes com artrite reumatóide, espondilite anquilosante, psoríase e doença inflamatória do intestino (doença de Crohn e colite ulcerosa).
Existem “diferenças significativas” no controlo da doença entre quem faz terapêutica biológica e quem faz terapia convencional, o que se traduz numa melhor qualidade de vida, além de uma melhoria da actividade funcional dos doentes.
O estudo verificou ainda que “os custos associados a medicação para a doença são inferiores para o grupo dos doentes sob terapia com biológicos”, apesar de estes serem medicamentos muito caros, já que os doentes com a doença pouco controlada tendem a ter gastos superiores nas terapias.
Especificamente por doença, na artrite reumatóide os doentes a fazer biotecnológicos foram seis vezes menos operados do que os que não faziam (4% contra 26%), tiveram 11 vezes menos internamentos (4% contra 47%) e recorreram seis vezes menos às urgências (11% contra 72%).
O número de dias perdidos por baixa foi cinco vezes menor após o início da toma dos medicamentos (11% contra 56%).
Quanto aos gastos suportados pelos doentes, são em média inferiores para os que fazem terapêutica biológica, indica o estudo, exemplificando: 35 por cento dos que faziam terapêutica convencional gastavam mais de cem euros por mês, contra apenas seis por cento dos que faziam terapêutica biológica.
Os resultados são idênticos para a espondilite anquilosante, com um aumento de doentes a reduzir o número de dias de baixa (para menos de cinco dias), de 40,4% (antes dos biológicos) para 81,4% (depois de iniciar a toma).
Ao nível dos gastos, 49,1% destes doentes com terapia biológica gasta menos de 20 euros por mês, ao passo que no tratamento convencional, apenas 28% dos doentes gastam menos de 20 euros.
Na doença inflamatória do intestino, o estudo revelou que antes da terapêutica biológica 52,3% dos doentes faltavam em média mais do que cinco dias por ano ao trabalho, número que diminui para 39,5% com o início desta terapêutica.
Relativamente à média de dias por ano de baixa, 63,4% dos doentes sem terapêutica biológica ficavam de baixa mais do que cinco dias, número baixa para 35,5% em doentes a fazer terapêutica biológica.
Além disso, 51,7% dos doentes consideravam que a sua doença os impedia de fazer actividades do dia a dia, proporção que baixou para 35,5% depois da terapêutica biológica.
Embora de forma menos significativa do que nos outros casos, os doentes de psoríase também passaram a faltar menos ao trabalho e reduziram o número de dias de baixa.
“Verificou-se um aumento da percentagem de doentes que não precisaram de operações, internamentos ou recorrer a serviços de urgências, uma diminuição da ocorrência de faltas e número de dias de baixa, uma diminuição do impedimento de actividades quotidianas (de 33% para 4,3%)”, indica o estudo.
Os dados para o estudo tiveram por base um questionário telefónico a doentes pertencentes a cada uma das associações (ANDAR – artrite reumatóide, ANEA – espondilite anquilosante, PSOPortugal – psoríase e artrite psoriática e APDII – doença de Crohn e colite ulcerosa), tendo sido avaliados mais de 1.580 doentes.

Lusa – 23.11.2011

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