Brasil: especialistas apresentam diferentes estratégias de prevenção da transmissão vertical do HIV ao redor do mundo


Ações como evitar que uma mãe soropositivo amamente o filho e a definição da quantidade de tempo que ela deve usar antirretrovirais não fazem parte de um consenso mundial para eliminar a transmissão vertical do vírus da aids. Foi o que convidados internacionais mostraram na manhã desta quinta-feira durante o 10º Encontro Nacional e o 8º Simpósio Internacional sobre Aids Pediátrico. Os eventos estão sendo realizados em São Paulo.

A principal discordância ocorre em relação à continuidade, depois do parto, do uso de antirretrovirais por mães com alta imunidade. “Com o CD4 menor que 350 cel/mm3 não há dúvidas de que a mulher deve seguir com o tratamento. Porém, quando o CD4 é maior que 350, não há consenso”, explicou George Siberry, pediatra especialista em infectologia do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

Segundo George, não se sabe se existem problemas em interromper o tratamento após o parto, já que as mulheres, nesses casos, usam antirretrovirais sem necessidade clínica. Algumas dúvidas, por exemplo, são se parar a administração dos remédios pode causar prejuízos à imunidade ou aumentar a carga viral. “Existe um estudo internacional, do qual o Brasil faz parte, sendo realizado sobre o tema. A pesquisa poderá nos trazer as respostas”, declarou.

Ainda de acordo com o médico do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, não existe naquele país uma diretriz sobre o que deve ser feito. A decisão depende de cada caso e profissional. O mesmo ocorre no Brasil, de acordo com o infectologista do Hospital Emílio Ribas, Wladimir Queiroz.

Outras discordâncias

Um estudo polêmico foi realizado nos Estados Unidos sobre cuidados com a alimentação. Segundo George, a pesquisa apontou que a pré-mastigação da comida – quando uma pessoa mastiga e depois fornece o alimento à outra – é uma forma de transmissão do vírus da aids. Isso ocorreria porque existem chances de haver sangue misturado ao alimento. A pré-mastigação é utilizada comumente para mães alimentarem o filho e por cuidadores de pessoas debilitadas.

A médica da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, Sharon Nachmann, afirmou que as mães estadunidenses com HIV são incentivadas a amamentar os filhos, já que o leite materno é o melhor alimento para a criança. No Brasil e em diversos outros países, a orientação é evitar que essas mães amamentem, devido ao risco de transmissão do vírus da aids.

Além do consenso

Além de discutirem questões relacionadas a consensos terapêuticos, os convidados internacionais citaram outros aspectos importantes para a prevenção do HIV entre crianças e os efeitos colaterais dos antirretrovirais nesse público.

“É imprescindível levarmos em consideração a prevenção do vírus entre mulheres jovens e também da gravidez não planejada”, disse George. Para ele, é necessário estimular o uso da camisinha, realizar profilaxia pré-exposição e estar atento à interação medicamentosa que ocorre com os anticonceptivos hormonais, o que os deixa com baixa eficácia.

Já Sharon, citou a interação entre remedos naturais e os medicamentos antiaids. “Muitos pacientes não dizem que usam produtos fitoterápicos. Porém, alguns deses produtos, como a erva de São João, prejudicam a ação dos antirretrovirais”, explicou.

Em relação aos efeitos adversos do tratamento em crianças, os convidados abordaram, entre outros, a possibilidade de lipodistrofia, mais chances de problemas renais, problemas ósseos e fibrose hepática.

Serviço

Os encontros sobre aids pediátrico são organizados pela Associação de Auxílio à Criança e Adolescente Portador de HIV (AACPHIV), presidida pela infectologista Marinella Della Negra, também do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e uma das principais autoridades no tratamento da aids em criança no País.

Apoiam esta iniciativa o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, o governo Federal, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Sociedade Brasileira de Infectologia e o laboratório GlaxoSmithKline.

As atividades tiveram início nesta quarta-feira, dia 16. e terminam nesta quinta.

Fábio Serrato/Agência Aids – 17.11.2011

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