Brasil: Encontros sobre aids pediátrico em São Paulo ajudaram no debate de dilemas cotidianos da profissão


As pessoas que vivem com HIV e aids e já tiveram relações sexuais desprotegidas devem ou não contar sua sorologia para seus parceiros? E se essas pessoas não contarem, é ético o médico contar?

Esses foram alguns dos dilemas debatidos na tarde desta quinta-feira, 17 de novembro, no 10º Encontro Nacional sobre Aids Pediátrico, que terminou hoje em São Paulo com uma programação paralela ao 8º Simpósio Internacional de Aids Pediátrico.

Dra. Heloisa Marques, do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP, contou que é comum mulheres com HIV engravidarem. Para ela, os médicos devem incentivá-las a contar para seus parceiros que eles foram expostos ao vírus. “Caso elas não queiram revelar que têm HIV, é preciso que indique os últimos parceiros para que o serviço os procure para avisa-los sobre a importância de fazer o teste”, comentou.

Heloisa defende o registro de tudo que foi conversado com o paciente nos prontuários médicos.

“Se o paciente tem o direito de não revelar sua sorologia, a outra pessoa também tem o direito de saber que correu o risco de infecção”, disse.
Transição do tratamento

Outro assunto que ganhou destaque no evento foi sobre o melhor momento de transferir o paciente com aids de um atendimento pediátrico para o adulto.
Para a médica Simone Tenore, pesquisadora do assunto, “o importante é fazer com que o paciente tenha confiança na nova equipe que irá atendê-lo”.
Dra. Marinela Della Negra reforçou que a relação que a criança estabelece com o pediatra vai muito além de uma consulta médica. “Criamos um vinculo enorme com a família ou o cuidador do nosso paciente”, disse.

Participantes elogiam evento

O pediatra Denilson Guimarães veio da cidade de Leme, interior de São Paulo, para acompanhar as novidades na área. “Neste dois dias, vi na teoria o que já fazemos na prática há muito tempo, mas é sempre bom ter uma base teórica”, disse. Denilson atende cerca de 20 crianças vivendo e convivendo com HIV e aids por mês.

Maira Mendonça, de Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, destacou a oportunidade de médicos que não estão nos grandes centros poderem trocar experiências com outros profissionais. “Adorei todas as palestras”.

Já para Nadja Lopes, que atende cerca de 40 crianças HIV+ no serviço especializados em aids em Angra do Reis, no Rio de Janeiro, o evento deveria ter abordado mais as práticas do dia a dia. “Sempre temos dúvidas, por exemplo, sobre medicamentos, mas ter acesso a pesquisas internacionais também foi muito interessante”, comentou.

Os encontros sobre aids pediátrico foram organizados pela Associação de Auxílio à Criança e Adolescente Portador de HIV (AACPHIV), presidida pela infectologista Marinella Della Negra, também do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e uma das principais autoridades no tratamento da aids em criança no País.

Apoiaram esta iniciativa o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, o governo Federal, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Sociedade Brasileira de Infectologia e o laboratório GlaxoSmithKline.

As atividades começaram nessa quarta-feira, 16 de novembro.

Talita Martins/Agência Aids – 17.11.2011

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