Resistência a antibióticos aumenta nos países do Sul da Europa


Grécia tem a taxa mais elevada de resistência a estes medicamentos, Portugal continua a ser um dos países da Europa que mais os utilizam.

A taxa de resistência à última classe de antibióticos do mercado está a aumentar em quase todos os países do sul da Europa. Esta é a conclusão de um estudo divulgado pelo European Surveillance of Antimicrobial Consumption (ESAC) que aponta que a percentagem de resistência à última classe de antibióticos para tratar infecções causadas por bactérias multi-resistentes, de que é exemplo a klebsiella pneumoniae (causa frequente da pneumonia e de infecções urinárias) tem aumentado no continente europeu.

Os dados do Sistema Europeu de Vigilância da Resistência aos Antimicrobianos mostram que nos países escandinavos e na Holanda, as taxas de resistência aos antibióticos são as mais baixas, contrariamente aos países do sul, onde se registam as taxas mais elevadas.

Portugal é um dos países da UE onde mais se recorre a antibióticos e onde a taxa de resistência a estes fármacos é das mais elevadas, oscilando entre a sexta e a sétima posição de um conjunto de 28 países europeus com taxas de resistência a antibióticos consideradas altas.

Em 2009, os três países que registaram um crescimento significativo do número de casos de pacientes resistentes a antibióticos foram França, Hungria e Itália, que atingiram os 17%, 27% e 31% respectivamente. Em contrapartida, Áustria, República Checa e Alemanha registaram, neste mesmo período, um decréscimo da taxa de resistência a antibióticos.

No conjunto dos 28 países foram reportados 8376 casos de resistência combinada a pelo menos três classes de antibióticos. Os dados apontam ainda para uma taxa de 33% de pacientes resistentes a pelo menos uma das cinco classes de antibióticos consideradas, 16% de resistência a três ou mais tipos de antibióticos e 5% aos cinco tipos.

Apesar da altas proporções de resistência a estes fármacos, este estudo aponta para uma estagnação generalizada, destacando-se apenas alguns casos onde estas taxas sofreram alterações. Os países com as taxas mais elevadas de resistência foram França, Hungria, Itália, Malta e Espanha. A taxa mais alta foi registada na Grécia (40%) apesar de nos últimos anos ter vindo a baixar.

No caso português, a taxa de resistência a diferentes tipos de antibióticos ficou abaixo dos 20%, registando no último ano um decréscimo significativo do número de casos de resistência a antibióticos. De acordo com os últimos dados do European Surveillance of Antimicrobial Consumption (ESAC) Portugal registou um decréscimo no consumo de antibióticos de 1,2%.

Ainda assim, e apesar da tendência positiva, Portugal continua acima da média europeia, apesar de continuar a ser o terceiro país com maior utilização de quinolonas – antibiótico usado no tratamento de infecções bacterianas – sendo apenas precedido pelo Chipre, Itália e Grécia. Segundo o ESAC as penicilinas são os antibióticos mais prescritos em Portugal (56,5%) tal como no resto dos países da Europa. Segundo o Observatório Português dos Sistemas de Saúde, em 2009, o mercado de antimicrobianos representava 93 milhões de euros em valor de vendas.

Helena Nunes/i – 17.11.2011

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