Brasil: Políticas públicas contra a aids ganham destaque no VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia em SP


Em 1991, a porcentagem prevista de pessoas que já tinham feito pelo menos uma vez o teste de detecção do vírus da aids nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife foi de 14%, segundo o instituto de pesquisa DataFolha. Dezessete anos depois, a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira, elevou esta estimativa para 36.5% no âmbito nacional. Apesar do expressivo aumento, a realização do exame de HIV ainda hoje atinge patamares próximos do total apenas no subgrupo de mulheres grávidas.

Esses dados foram apresentados nesta quarta-feira pelo professor da Faculdade de Saúde Pública da USP Ivan França Junior (à esquerda na foto). Assim como vários outros especialistas em aids, Ivan participou do VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em São Paulo, para mostrar aspectos do enfrentamento desta epidemia na rede pública.

Ivan analisou várias pesquisas sobre a testagem do HIV no Brasil e constatou que, no geral, os que se dizem homo ou bissexuais são os que mais realizam o exame espontaneamente, além daqueles que passaram por alguma situação de risco e os que sofreram violência sexual. Entre os que procuram o teste porque foram indicados a faze-lo, a maioria é gestante.

O pesquisador explicou que embora para as estratégias de saúde pública o conhecimento da sorologia positiva ou não para o HIV seja essencial para controlar a epidemia e planejar o tratamento do paciente, para a população, o teste é uma ameaça à estabilidade dos relacionamentos afetivos e sexuais. “Apenas o fato de ir fazer o teste, já pode significar desconfiança e, no caso de um resultado positivo, pode levar ao abandono”, comentou Ivan. “Muitas pessoas comentam que gostariam que o teste fosse algo de rotina, ou seja, que todos fizessem com frequência e não para tirar uma dúvida ou um peso”, acrescenta.

Ivan acredita ainda que há falhas na maioria dos serviços que realizam o exame de HIV no País, pois segundo ele, quando o resultado é negativo para o vírus da aids não é feito o trabalho de aconselhamento, com dicas para continuar se prevenindo da infecção. “Em alguns casos, os profissionais de saúde nem conversam com a pessoa que fez o teste. E assim foi perdido uma boa oportunidade de conscientizar aquela pessoa”, justificou.

O Congresso

Realizado de 12 a 16 de novembro, o VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia reuniu 3300 pesquisadores, docentes, estudantes de graduação e pós-graduação e outros interessados em se atualizarem sobre temas da área da saúde. Foram aprovados 3801 trabalhos, sendo que 4211 foram apresentados em palestras e 5 em conferências.

Segundo Maria Amélia de Souza Mascena Veras, integrante da equipe de organização do evento, “a programação foi inteira pensada na possibilidade de gerar debates de interesse para as políticas públicas que estão sendo realizadas no Brasil na área da saúde.”

Promovido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO), o encontro foi realizado pelas Faculdades de Medicina e Saúde Pública da USP, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e pela Prefeitura e Governo de São Paulo. Apoiaram também o Centro de Eventos e Convenções Anhembi, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Fundação Oswaldo Cruz e o Ministério da Saúde.

Lucas Bonanno/Agência Aids – 16.11.2011

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