Consumos de cannabis e de cocaína estão a diminuir na União Europeia


O consumo das duas drogas mais usadas na União Europeia, a cannabis e a cocaína, está a estabilizar ou a diminuir. O relatório anual do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT) hoje apresentado em Lisboa refere que há uma estabilização ou decréscimo do consumo da cannabis entre os jovens adultos com idades entre os 15 e os 34 anos.

A diminuição poderá estar associada a alterações do estilo de vida e a novas atitudes face à droga. A droga ilícita mais consumida na UE já foi experimentada, pelo menos uma vez na vida, por 78 milhões de europeus, um em cada cinco adultos na faixa etária dos 15 aos 64 anos.

A cocaína, embora seja a segunda droga mais consumida na União Europeia, sempre esteve restrita a um número limitado de países. Os peritos suspeitam que a substância esteja a entrar num período de perda de alguma popularidade, tendência detectada na Dinamarca, Espanha, Itália ou Reino Unido, uma vez que o seu consumo tem vindo a decair entre jovens adultos.

A diminuição do poder de compra, na sequência das políticas de austeridade aplicadas em alguns países europeus, pode fazer do seu uso uma “opção menos atractiva”, tanto mais quanto o preço médio por grama, na maioria dos países da União Europeia (UE), oscila entre os 50 e os 80 euros. Os problemas de saúde relacionados com o seu uso são hoje mais conhecidos. O facto de 17 por cento dos consumidores que iniciaram tratamento especializado a identificarem como a sua droga principal e as cerca de mil mortes que causa anualmente também ajudam a desmistificar a sua inocuidade.

O número de apreensões deste estupefaciente continua a aumentar, mas já não nas proporções dos anos anteriores. Com efeito, a quantidade apreendida tem descido, o que poderá estar relacionado com o declínio das rotas de tráfico que antes percorriam os países da África Ocidental.

No caso dos opiáceos, os consumidores problemáticos em tratamento estão a envelhecer, os que se injectam são em menor número, e a heroína, em alguns países europeus está a ser substituída por novos opiáceos. Se, por um lado, se pode falar em estabilização do seu consumo, por outro, continua a ser a principal responsável pela maior parte das doenças relacionada com a droga.

O relatório desta agência europeia sediada em Lisboa evidencia, à semelhança de anos anteriores, a sua preocupação com o mercado das substâncias sintéticas, em particular com a produção de opiáceos e de Ecstasy.

No relatório é referida, também, a preocupação com o facto de a crise europeia poder diminuir a resposta dos países nos serviços de tratamento da toxicodependência, a par do surgimento de novos surtos de infecção. O que acontece na Grécia serve de exemplo: Atenas deu conta de um grande surto de infecções por VIH, no ano em curso, entre consumidores de droga por via endovenosa. Também o número de casos detectados tem vindo a crescer na Bulgária, Estónia ou Lituânia.

O relatório refere que, em 2009, o índice de novos casos de infecção pelo VIH – por milhão de habitantes – manteve-se relativamente elevado na Estónia (63,3), Litania (34,9), Letónia (32,7, Portugal (13,4) e Bulgária (9,7).

Recorde-se que, no relatório do OEDT de 2008, Portugal surgia como o país da UE com o número mais elevado de novos casos de sida, embora a tendência decrescente fosse visível desde 2005. As estimativas do OEDT apontam para um número entre 10 e 20 mil mortes anuais entre consumidores problemáticos de opiáceos na Europa.

Amílcar Correia/Público – 15.11.2011

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