Droga: mais de um milhão de europeus receberam tratamento em 2009


Mais de um milhão de europeus receberam em 2009 tratamento por problemas de consumo de drogas ilícitas na União Europeia (UE), Croácia, Turquia e Noruega, estima o Observatório Europeu da Droga num relatório apresentado esta terça-feira em Lisboa.

De acordo com os dados do relatório sobre “Evolução do Fenómeno da Droga na Europa”, em todos estes países estão disponíveis tratamentos livres de drogas ou com drogas de substituição para os consumidores de opiáceos.

Por outro lado, o documento do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) revela que cinco estados-membros da União Europeia – Dinamarca, Alemanha, Espanha, Holanda e Reino Unido – oferecem tratamento assistido com heroína “para um pequeno número de consumidores crónicos (…) que não reagiram” a outras abordagens.

De acordo com os dados do relatório, em 2009 cerca de 700.000 consumidores de opiáceos receberam tratamento na Europa, mais 50.000 do que em 2007.

O OEDT estima ainda que cerca de 1,3 milhões de “consumidores problemáticos” de droga existentes na Europa têm acesso a tratamento de substituição, “um nível comparável aos registados na Austrália e nos EUA”.

De acordo com o relatório, a Rússia, apesar de ter o maior número estimado de consumidores problemáticos de opiáceos, “ainda não introduziu esse tipo de tratamento.

Overdoses mataram uma pessoa por hora nos últimos 20 anos
As overdoses mataram uma pessoa por hora nos últimos 20 anos, segundo o relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) apresentado esta terça-feira e que aponta os opiáceos como presentes na maioria dos casos.

De acordo com o documento, em 2009 morreram por overdose 7.600 pessoas e os opiáceos – sobretudo a heroína – estão presentes na maioria dos casos notificados na Europa.

Nos 22 países que forneceram dados relativos a 2008 e 2009, os opiáceos “foram responsáveis pela grande maioria dos casos: mais de 90% em cinco países e entre 80 e 90% noutros 12”, refere o documento.

Para além da heroína, as substâncias mais frequentemente referidas são o álcool, as benzodiapezinas, outros opiáceos e, nalguns países, a cocaína.

De acordo com o relatório sobre a “Evolução do Fenómeno da Droga na Europa”, os homens são os mais atingidos (81%) pelas mortes por overdose.

“Na Europa, a vítima de overdose fatal típica é um homem entre 35 e 39 anos de idade, com um longo historial de problemas com opiáceos”, refere o Observatório, que lembra igualmente que o consumo de droga é uma das principais causas de problemas de saúde e de morte entre os jovens na Europa.

Contudo, o OEDT admite que os números de mortes por overdose possam ser superiores, uma vez que “os dados nacionais podem ser afectados pela subnotificação ou a subverificação das mortes induzidas pela droga”.

Numa análise específica sobre a mortalidade relacionada com a droga, publicada em paralelo com o relatório de esta terça-feira, o Observatório estima, pela primeira vez, que poderão ser cerca de 10.000 a 20.000 os consumidores problemáticos de opiáceos que morrem por ano na Europa, sobretudo devido a overdoses.

O OEDT indica que as mortes por overdose “podem representar entre um e dois terços da mortalidade global registada entre os consumidores problemáticos de droga”.

Chama ainda a atenção para o facto de o número de consumidores mortos por overdose na Europa se manter estável, apesar do aumento da disponibilidade de tratamentos ao longo dos anos, e realça o “grande desafio” que a redução destes óbitos representa para os serviços de apoio aos toxicodependentes.

Em 2009, a mortalidade média por overdose na União Europeia estava estimada em 21 mortes por cada milhão de habitantes com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos, com Portugal a apresentar uma taxa inferior a metade desta, com menos de 10 casos/milhão.

Quanto a 2008 – o ano mais recente em que existem dados disponíveis de quase todos os países – mais de metade das mortes por overdose notificadas referia-se a dois países, Alemanha e Reino Unido, que em conjunto com Espanha e Itália registaram dois terços dos casos notificados (5.075 casos).

No entanto, recorda o OEDT no relatório, “as comparações entre países exigem prudência porque subsistem diferenças quanto à metodologia utilizada e às fontes de dados”.

A mortalidade relacionada com o consumo de droga inclui as mortes por overdose, o VIH/Sida, os acidentes rodoviários, em especial quando há uma associação com o álcool, a violência, o suicídio e os problemas associados a doenças crónicas provocadas pelo consumo recorrente.

Portugal poupava dinheiro se alterasse método de tratamento

O presidente da Associação Portugal Livre de Drogas (APLD) defendeu esta terça-feira que Portugal poupava dinheiro se alterasse o método de tratamento de toxicodependentes, tendo em conta que é um problema “mais psicológico do que médico”.

Em declarações à agência Lusa a propósito da divulgação do relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), o presidente da APLD, Manuel Pinto Coelho, disse que “é urgente” definir uma nova forma de tratamento de toxicodependentes, condenando o recurso a drogas de substituição.

Segundo o médico, 72 % dos toxicodependentes são tratados com medicamentos de substituição, o que na sua opinião significa que se está a “alimentar a mesma condição de dependência”, além dos custos para o Estado.

Numa altura de crise, o presidente da APLD defendeu a necessidade de encontrar “um novo paradigma”, considerando que se trata de um problema “mais psicológico do que biológico ou médico”.

“Há que implantar um modelo essencialmente psicológico que transmita estratégias de controlo emocional a quem perdeu todo o controlo sobre si, ensinar perícias que ajudem as pessoas a evitar situações que os leva ao consumo e não tratá-los como peças de um rebanho que os trata a todos com metadona”, sustentou.

Manuel Pinto Coelho disse ainda que as estruturas no terreno têm de alterar a sua estratégia, uma vez que estão vocacionadas para tratar a heroína e a realidade alterou-se com a entrada em cena de drogas sintéticas.

Observatório admite necessidade de reduzir custos, mas diz que tratamentos são socialmente vantajosos
O Observatório Europeu da Droga reconhece a necessidade de reduzir custos, mas alerta que os tratamentos são “economicamente vantajosos” do ponto de vista social.

Num relatório esta terça-feira divulgado em Lisboa, o Observatório realça: “Na actual conjuntura financeira é prioritário assegurar a mais elevada qualidade e os melhores resultados do tratamento com os menores custos possíveis”.

Numa análise em que faz o levantamento das principais fontes de financiamento para o tratamento da toxicodependência numa série de países europeus, o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) sustenta que “o tratamento é economicamente vantajoso do ponto de vista social”.

No estudo que aborda os custos dos serviços de tratamento de toxicodependentes na Europa, o OEDT conclui que o Estado é o principal financiador, apesar de divergir o nível de governo através do qual as verbas são canalizadas (Governo central na Estónia, Grécia, Chipre, Luxemburgo, Portugal e Reino Unido e regional ou local na Dinamarca, Espanha e Finlândia).

“Os seguros de saúde também são importantes financiadores [dos tratamentos] em diversos países”, sublinha o documento, apontando como exemplos a República Checa, Alemanha, Luxemburgo, Áustria e Eslovénia.

Dos nove países que reportaram os custos anuais dos tratamentos contra a droga, a estimativa do OEDT indica que em cada ano estes estados-membros gastam entre um a 20 euros por cada toxicodependente.

Dos sete países que forneceram dados suficientes para permitir cálculos, a média anual de custos por tratamento/toxicodependente varia entre os 550 e os 4.900 euros.

Por país, a percentagem de despesa total explicitamente identificada como estando relacionada com a droga variou entre um e 47%. As prisões (31%) e os serviços de polícia (16%) constituíram a maior parte da despesa directa no domínio da ‘ordem e segurança’ públicas.

Na área da saúde, a despesa directa referia-se sobretudo aos serviços de tratamento em regime de ambulatório (68%) e hospitalar (16%), seguidos pelos medicamentos (7%).

Lusa – 15.11.2011

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