Hepatite C: 150 mil doentes aguardam comparticipação de dois medicamentos


São cerca de 150 mil os doentes com hepatite C em Portugal que aguardam, desde Junho, a comparticipação de dois medicamentos, que, combinados com o tratamento já existente, lhes podem salvar a vida.

 

Segundo José Velosa, director do Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia do Hospital de Santa Maria, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) já aprovou a terapêutica com os dois remédios, que em 80% dos casos curou os doentes. “Em Portugal, o tratamento já está disponível e a ser comercializado, mas a comparticipação do Estado ainda está a ser negociada”, explicou o especialista ao CM, sublinhando o facto de os medicamentos para um tratamento com uma duração de três meses “custarem cerca de 40 mil euros”.

 

José Velosa, que falou sábado na conferência ‘Sharing Evolution’, em Cascais, dedicada à doença, alertou para o facto de a hepatite C ter outras doenças graves associadas, com custos elevados para os cofres do Estado. “As doenças hepáticas representam, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde, em custos hospitalares, cerca de 63 milhões de euros, e 20% [cerca de 13 milhões de euros] são consequência da hepatite C”, afirmou.

 

O especialista adiantou ainda ao CM que a hepatite C é “uma doença de duração alargada e que pode estender-se até 50 anos”. Segundo José Velosa, actualmente em Portugal, há doentes com 30 a 40 anos de infecção que “vão começar a ter agora as complicações da doença”.

 

Entre os problemas, encontram-se a cirrose e o tumor do fígado, doenças que têm vindo a aumentar entre os portugueses. “É essa situação que tem como consequência uma maior necessidade de recursos com custos para os hospitais”, explicou, acrescentando que só com um rastreio “maciço” da doença e com um tratamento generalizado da população será possível conseguir controlar a infecção.

 

Entre 100 e 120 mil têm hepatite e não sabem

 

Estima-se que em Portugal haja 100 a 120 mil pessoas portadoras de hepatite C, mas que não o sabem. “Na Europa, apenas estão diagnosticados 30% dos infectados”, sublinha José Velosa, que recomenda o rastreio. “É uma doença silenciosa e, muitas vezes, as pessoas são confrontadas com sintomas de outra doenças, como a cirrose, e só depois percebem que têm hepatite C. Os médicos devem estar atentos a qualquer alteração dos níveis nas análises” feitas pelos doentes.

Correio da Manhã – 14.11.2011

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

  • Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

    Junte-se a 24 outros seguidores

%d bloggers like this: