Moçambique: Mais um Hospital de Dia encerrado na cidade de Maputo


Ainda no cumprimento da decisão de 2008 do Ministério da Saúde (Misau), naquela altura chefiado por Paulo Ivo Garrido, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) encerrou nesta semana mais um Hospital de Dia que ainda funcionava em Maputo. A unidade “1º de Maio” era considerada referência nos serviços sanitários e psico-sociais prestados a mais de 11 mil pacientes com HIV e Sida.

Contudo, desta vez a decisão reúne consenso entre os pacientes, que dizem ter diminuído a discriminação nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, que passaram a receber toda a demanda de doentes de Sida depois do encerramento dos Hospitais de Dia.

“Com o fechamento deste Hospital de Dia, a MSF não deixará de apoiar o combate do HIV e Sida em Moçambique. Agora trabalharemos mais na capacitação de profissionais”, esclareceu Kelly Cavalete, coordenadora do Projecto Mavalane, área de cobertura do MSF, onde faz parte o centro de saúde 1º de Maio.

O encerramento tardio deste Hospital de Dia é resultado de um processo cuidadoso que a MSF vinha levando a cabo com o Ministério da Saúde com vista a evitar o abandono do tratamento por parte dos pacientes, que diziam temer preconceito nos hospitais públicos padrão. Até o ano passado, os pacientes com HIV e Sida tinham um cartão de identificação na cor verde e os pacientes com qualquer outra enfermidade eram atribuídos a cor branca, o que já denotava diferenciação. Entretanto, o Misau decidiu atribuir a todos o cartão branco.

Para Amélia Ndlalane, uma das pacientes em tratamento antiretroviral (TARV) assistida no hospital 1º de Maio, a discriminação não só diminuiu nas unidades sanitárias, como também na comunidade. “Agora muitas pessoas estão infectadas com o HIV e a sociedade está a ver que o HIV não afecta apenas as prostitutas, mas que a Sida é mais doença que surgiu”, entende.

A directora de saúde na cidade de Maputo, Páscoa Wate, acredita que o encerramento de mais um Hospital de Dia “significa um avanço em direcção à integração do atendimento das pessoas infectadas”.

Segundo ela, todos os médicos que trabalham ao nível dos centros de saúde estão preparados para assistir estes doentes, deste o diagnóstico, seguimento até ao tratamento.

Sete clínicos da MSF que estavam no Hospital de Dia 1º de Maio passarão a reforçar o pessoal médico dos hospitais públicos no atendimento de pacientes com HIV e Sida.
Hoje, 23 unidades sanitárias prestam serviços de TARV na cidade de Maputo, e ainda faltam por encerrar mais dois Hospitais de Dia: Hospital Geral de Mavalane e Centro de Saúde de Chamanculo.

Segundo dados oficiais, a cidade de Maputo conta com quase 56 mil pacientes inscritos no TARV.

Ricardo Machava/Agência Sida – 27.10.2011

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