Guiné-Bissau pondera incluir educação sexual nos currículos escolares


Tema  

 A sexualidade continua a ser um assunto “tabu” na sociedade guineense. Mesmo nas escolas, o tema quase não é abordado. A Escola Portuguesa está preocupada e, por isso, quer incluir a Educação Sexual nos seus currículos.

Aisatu Djalo é uma jovem muçulmana, aluna do 12º ano. Vive com os pais num bairro periférico de Bissau e diz que, em casa, “sexualidade” nunca é tema de conversa. “Não tenho coragem de perguntar nada aos meus pais. Não sei se eles não aceitam falar comigo sobre isso por causa da religião ou porque eles próprios nao sabem muito sobre o tema”. Mas na escola é diferente. Apesar de não haver uma disciplina específica que aborde as questões da sexualidade,  o assunto acaba por ser abordado por um ou outro professor: “Eles aceitam [falar sobre o tema] sem problemas”, conta Aisatu.

Na família de Osmane Jaquite, também ele aluno do 12º ano e de confissão islâmica, o tópico é abordado de uma forma completamente diferente. Os seus pais, explica, sempre fizeram questão de esclarecer as suas dúvidas sobre sexualidade, para que “não te arrependas de nenhuma atitude”.

Segundo dados divulgados pela UNESCO, apenas cerca de 13% dos jovens na Guiné-Bissau podiam identificar corretamente como o HIV era transmitido. A mesma pesquisa, realizada em 2010, indicava ainda que 21% dos jovens guineenses já tinham tido relações sexuais aos 15 anos.

No quadro da revisão dos assuntos que são ensinados aos alunos, a Escola Portuguesa da Guiné-Bissau prevê incluir no seu currículo escolar a abordagem da Educação para a Cidadania, no qual será dada atenção particular à Educação Sexual. A iniciativa visa dotar os alunos de conhecimentos básicos, que os possam ajudar a evitar comportamentos de risco.

O sociólogo e professor da Escola Portuguesa, Wilson Barbosa, tenta já falar sobre o tema com os seus alunos. Na sociedade, diz, faz-se sexo “muito prematuramente”e “como educadores, temos esse cuidado de encontrar a forma mais adequada, do ponto de vista científico, de fazer uma abordagem [do tema] junto dos nossos alunos”. Mas, no entender de Wilson Barbosa, a educação sexual devia começar no seio de cada família, por ser um assunto da sociedade contemporânea.

Tchumá Camará, Guilherme Correia da Silva e António Rocha (Edição)/DW-World.de – 05.10.2011

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

  • Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

    Junte-se a 24 outros seguidores

%d bloggers like this: