Moçambque: Antiretrovirais devolvem a vida de portadores do HIV


Bridgette Chinamo, 39 anos, vive na cidade de Murambinda, no Zimbabwe. Há 11 anos, ela recebeu o diagnóstico positivo para o vírus da Sida, numa altura em que naquele país não havia tratamento antiretroviral gratuito. “Quando tive o resultado, pensei que fosse morrer no hospital porque não havia medicamentos e o estigma era enorme”, recorda.

Além da difícil notícia, no mesmo ano ela perdeu seu primeiro marido em decorrência do HIV. Apesar de tanto desespero, Bridgette aguentou-se, gracas ao suporte familiar, até que em 2004 começou a se beneficiar do tratamento antiretroviral no seu pais, dado pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).

De lá para cá, ela cumpre à risca a terapia antiretroviral e sua história serve como exemplo para milhares de pessoas que se descobrem portadoras do HIV e se desesperam. “Iniciei o tratamento em 2004 e as células (de defesa do organismo) CD4 passaram de 89 para 780”, descreve. “Hoje tenho duas filhas lindas. Ambas são seronegativas, graças ao tratamento que estou a fazer, desde a gravidez”, acrescenta.

Nas idas e vindas ao centro de saúde, Bridgette conheceu um activista por quem se apaixonou, teve duas filhas e não descartou seu sonho de constituir uma família.“Agoraestá tudo bem. Trabalho, tenho uma vida normal e sou feliz com a minha família”, concluiu.

Papel da família
Numa entrevista à Agência Sida, Bridgette conta que quando conheceu o seu estado de saúde teve um suporte familiar, sobretudo, da sua irmã a quem revelou primeiro seu diagnóstico. Por parte da família do seu primeiro esposo também diz ter tido um bom acolhimento, factores que foram determinants para atenuar a dor de padecer de uma doença sem cura.

“Penso que é esse suporte familiar que me vez ir à frente…”

Activismo
Bridgette é hoje activista da MSF. Ela percorre o seu país e escala alguns países africanos para advogar sobre a importância da adesão ao tratamento antiretroviral. Recentemente, ela esteve em Maputo para mais um trabalho de advocacia.

“O facto de ter HIV e falar na primeira pessoa sobre os benefícios dos medicamentos antiretrovirais faz com que as pessoas se sintam sensibilizadas e procurem adesão ao tratamento”, destaca a nossa entrevistada.

O Zimbabwe é um dos países mais afectados pelo HIV, com uma taxa de seroprevalência de 14,3%, segundo o Programa Conjunto das Nações
Unidas para o HIV e Sida (ONUSIDA). O acesso aos antiretrovirais continua a ser um dos grandes problemas naquele país.

Entretanto, organizações humanitárias como a MSF vão ajudando a restaurar a vida de milhares de zimbabweanos com histórias parecidas as de Bridgette.

Moçambique também tem heróis
Assim como a zimbabweana Bridgette, o moçambicano Sousa Chilaule conheceu o diagnóstico positivo de HIV numa altura em que Moçambique não tinha o tratamento antiretroviral, no ano 2000.

“Não foi fácil fazer o teste porque naquela altura se dizia que o Sida mata e como se sabe a tendência da sociedade é de fugir de tudo que mata. Eu também não fugi à essa regra! Tinha muito medo, até porque na altura que fui aconselhado para fazer o teste não aceitei logo a ideia por pensar que assim que fizer e o resultado for positivo ia morrer imediatamente”, lembra-se Sousa.

Todavia, por insistência familiar acabou fazendo o teste e o diagnostico foi positivo. “Os médicos me aconselharam a fazer a profilaxia com contrimoxazol, porque na altura não havia os medicamentos antiretrovirais. Em 2003, o Governo admite a entrada de antiretrovirais em Moçambique e a Médicos Sem Fronteiras começa a dar o tratamento. A partir daí comecei a ver que a minha vida vai continuar e continua, muito bem”, sublinha Sousa Chilaule.

Hoje, com boa saúde,Sousa dedica-se ao activismo. Dá a cara em eventos públicos na imprensa, destacando a importância da adesão ao tratamento antiretroviral.

Dados oficiais indicam que cerca de 250 mil pessoas em Moçambique estão a se beneficiar da terapia antiretroviral. O porta-voz do Ministério da Saúde, Leonardo Chavane, entende que esta foi uma grande conquista, dado que há sete anos, apenas duas mil pessoas beneficiavam do tratamento antiretroviral.

“O desafio é aumentar ainda mais a cobertura com o TARV, à luz da declaração saída da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre HIV/Sida havida recentemente em Nova Iorque”, concluiu Chavane.

A declaração assumida pelos diversos signatários das Nações Unidas prevê baixar para 2 a 5% a taxa de transmissão vertical do HIV até 2015, bem como a redução de novas infecções em adultos.

De acordo com o ONUSIDA, 11.5% dos adultos moçambicanos vivem com HIV.

Ricardo Machava/Agência Sida – 06.06.2011

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