Oito em cada dez doentes tomaram genéricos este ano


Oito em cada dez doentes tomaram medicamentos genéricos no primeiro semestre do ano, segundo um estudo hoje divulgado, que indica que os médicos se recusaram a receitar genéricos apenas a 4% da população, avança a agência Lusa.

 

Alguns dados do estudo efectuado pela Escola Nacional Saúde Pública (ENSP) foram divulgados esta segunda-feira pelo bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, que em conferência de imprensa recusou a ideia de os profissionais portugueses serem contra a prescrição de genéricos.

 

“Cerca de 4% dos doentes não tomaram genéricos no primeiro semestre do ano porque alegadamente os médicos se recusaram a passar genéricos. Mas é preciso não esquecer as justificações científicas para o fazer”, começou por defender José Manuel Silva.

 

O bastonário lembrou o caso dos medicamentos de margem terapêutica estreita, que não devem ser substituídos, e os casos “pessoais de médicos e doentes com más experiências anteriores com genéricos”: os medicamentos são “bioequivalentes mas depois não existe igualdade de efeitos”.

 

Há ainda as situações em que a diferença de preços entre originais e genéricos é tão pouco significativa que os doentes optam pelos originais e os casos em que os medicamentos não necessitam de receita médica obrigatória, lembrou ainda José Manuel Silva.

 

Segundo o estudo da ENSP, 85% dos doentes tomaram genéricos no primeiro semestre de 2011. A estes números, o bastonário acrescenta outros cinco% da população que terão tomado genéricos antes de 2011, “ou seja 90% da população já terá tomado genéricos”.

 

Os dados divulgados hoje pela Ordem não permitem perceber se a estes doentes os médicos passaram a receitar genéricos ou se apenas lhes foi receitado uma única vez um genérico no primeiro semestre do ano.

 

A única certeza é que entre os 10% dos doentes a quem não foi receitado qualquer genérico este ano, “48,9% tem reservas pessoais quanto aos genéricos e apenas 43,6% afirma que os médicos se recusam a passá-los”.

 

“Ou seja, em apenas cerca de 4% dos doentes os médicos alegadamente se recusaram a passar genéricos, o que significa que os médicos aderiram massivamente aos genéricos”, concluiu o bastonário, lembrando que isto significa que “apenas 5% da população coloca reservas à toma de genéricos”.

 

O bastonário recusou as alegadas pressões da indústria farmacêutica para que os médicos prescrevam determinado tipo de medicamentos originais em detrimento dos genéricos, defendendo que “se não houver falhas no circuito do medicamento, as farmacêuticas não conseguem controlar o que o médico prescreve, apenas consegue controlar o que a farmácia vende”.

 

E, nos casos em que se confirma que os médicos cederam a pressões directas das farmacêuticas, José Manuel Silva diz apenas que a Ordem “institui a mais severas punições”.

Agência Lusa – 26.09.2011

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