Fim dos convencionados está a entupir hospitais


A proibição dos serviços de saúde públicos requisitarem exames aos privados está a entupir os hospitais, denunciou esta terça-feira um representante das entidades convencionadas, para quem isto representa “o princípio do fim do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, avança a agência Lusa.

 

Armando Santos, presidente da Federação Nacional de Prestadores de Cuidados de Saúde, afirmou que a proibição dos hospitais de fazerem requisição de exames a prestadores está a gerar um “aumento exponencial” da lista de espera nesses estabelecimentos para marcação de exames.

 

O responsável, também presidente da Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem adiantou ter conhecimento de algumas unidades hospitalares “completamente entupidas”.

 

“O Hospital de Santa Maria só num mês de consultas gerou uma lista de espera de oito meses para as ecografias cardíacas”, afirmou, alertando ainda para o aumento da lista de espera de radiologia para casos de cancro da mama.

 

A propósito, relatou o caso de uma doente com cancro da mama a quem um convencionado não pôde fazer o exame e a reencaminhou para o hospital, da zona de Lisboa, que está com uma demora de meses.

 

Para Armando Santos, esta “limitação do acesso é o princípio do fim do SNS”.

 

“As pessoas iam das unidades de cuidados de saúde primários para os convencionados e depois eram reencaminhadas para as consultas nos hospitais. Esta rede tem garantido a medicina de ambulatório. Sem esta rede o SNS fica comprometido”, afirmou.

 

Nestas unidades de saúde privadas que tinham convenção com o SNS alguns exames baixaram o preço de tabela para metade do valor, alertou.

 

As TAC baixaram mais de 20%, os exames baixaram 5%, há exames de radiologia pagos a dois euros e outros exames pagos ao preço de taxa moderadora, exemplificou, considerando que “a médio prazo os cortes vãoFim dos gerar o fecho de empresas e desemprego”.

 

“Não acredito que isto saia mais barato ao Estado. O pagamento aos convencionados é mais barato. O Estado vai ter que assumir que o SNS não tem sustentabilidade”, afirmou Armando Santos.

 

O responsável lembrou ainda que se o estado quer cumprir o memorando da troika, tem que se lembrar que “a troika também diz que o Estado deve pagar a tempo e horas”.

 

“Não vejo medidas nesse sentido. A ARS tem pagamentos em atraso aos convencionados de sete meses e a ADSE também”, acrescentou.

 

Armando Santos participava numa conferência sobre o licenciamento de unidades de saúde, que decorreu terça-feira de manhã em Lisboa.

Agência Lusa – 21.09.2011

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