Moçambique: Tete aposta na adesão ao TARV para frear o HIV na província


A adesão ao Tratamento Antiretroviral (TARV) está sendo adoptada como a principal frente de combate à Sida na província de Tete. Um colectivo formado maioritariamente por pessoas vivendo com HIV decidiu, em 2008, formar os chamados “Grupos de Adesão ao TARV”, cujo objectivo é minimizar as dificuldades que os pacientes enfrentavam para se deslocar regularmente às unidades sanitárias para levantarem os antiretrovirais.

Actualmente, mais de 2 mil pacientes estão a se beneficiar dos trabalhos desses Grupos, e o desafio é aumentar ainda mais esta ajuda.

“Muitos doentes percorriam longas distâncias para poderem chegar ao posto de saúde. Vimos que não dá, porque outros não vinham por falta de dinheiro. Por isso, formamos estas equipas em que mensalmente é indicada uma pessoa que vai levantar os medicamentos de todos os membros”, explicou Rui Manuel José, um dos activistas desse trabalho (à direita na foto).

Cada Grupo é formado por seis pessoas, e cada uma contribui com um pequeno valor monetário para o colega que irá deslocar à unidade sanitária.

“É um caso positivo. Há muitas pessoas a fazerem o TARV e diminuiu o número de pacientes que desistiram de tomar os medicamentos”, destacou Manuel José.

Tete tem uma taxa de seroprevalência estimada em 7%, de acordo com os últimos dados do Relatório de Informação, Riscos Comportamentais e Informação Sobre HIV e Sida – INSIDA 2009.

ACTIVISMO

Manuel José também advoga pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) sobre a importância da adesão ao TARV. Por ser um paciente, ele considera que quando conversa com as pessoas infectadas pela doença facilmente eles acolhem a sua mensagem.

“Temos que ter o voluntariado dentro de nós. Temos que aderir todos no tratamento, pois só assim vamos conseguir vencer esta pandemia”, concluiu.

Na última quarta-feira, 14 de setembro, a MSF realizou um torneio desportivo na cidade de Maputo, envolvendo pacientes e activistas de diversos países da África Austral e da América Latina, estrelas de música e de futebol em Moçambique, como é o caso caso de Moreira Chonguiça e Tico-Tico, respectivamente.

Tal como deu a saber Walter Lorenzi, chefe de missão da MSF em Moçambique, o objectivo do evento era aproveitar a realização dos X Jogos Pan-Africanos que terminaram domingo, na cidade de Maputo, para consciencializar a sociedade civil, o Governo e a comunidade internacional sobre a necessidade de garantirem o acesso ao tratamento antiretroviral no país.

“Temos que continuar a buscar fundos para o combate ao HIV e Sida. O acesso ao TARV é um grande desafio em Moçambique porque faltam fundos, recursos humanos, mas acima de tudo, falta dinheiro para comprar os medicamentos antiretrovirais”, desabafou Walter Lorenzi.

A MSF está desde 2002 a trabalhar contra o HIV e Sida em Moçambique, e hoje apoia no tratamento antiretroviral de aproximadamente 12 mil pacientes.

Ricardo Machava/Agência Sida – 21.09.2011

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