Seropositivos morrem no Burundi por falta de ARVS


Bujumbura, 9 Set (AIM) – As Organizações Não-Governamentais (ONGs) no Burundi dizem que pelo menos 20 pessoas morreram já por causa da contínua falta de antiretrovirais (ARVs).

“Algumas das vítimas desta escassez dos medicamentos voltaram-se para a medicina tradicional, e todos eles (os seropositivos) estão desanimados,” disse Jeanne Gapiya, chefe da Associação Nacional dos Seropositivos e pessoas com SIDA (ANSS), a maior ONG burundesa contra o HIV.

Mais de 60 mil burundeses necessitam de tratamento antiretroviral, mas apenas cerca de 25 mil têm acesso aos ARVs, e não foi possível contactar o Ministério da Saúde para confirmar o número de pessoas afectadas pela escassez de ARVs, que já dura há vários meses.

Activistas contra o HIV/SIDA organizaram um piquete em Março deste ano para protestar contra a falta de medicamentos.

A falta de ARVs e a desorganização no Ministério da Saúde são apontados como estando na origem da redução dos fundos dos doadores. Em finais de Junho deste ano, o financiamento do Banco Mundial – mais de 50 milhões de dólares para um período de 10 anos – para resposta ao HIV/SIDA no Burundi esgotou-se e não foi renovado. Juntamente com o Fundo Global de luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária, o Banco era um dos maiores doadores do Burundi na luta contra o HIV.

Isto impede-nos de atingir os nossos objectivos…de aumentar o número de mulheres no protocolo de prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho,” disse Celine Kanyionge, chefe deste programa no país.

A pesar de o Fundo Global ter aprovado cerca de 35 milhões de dólares para a luta contra o HIV no Burundi, a ser liberto em oito tranches, organizações que lidam com seropositivos ainda não assinaram quaisquer acordos com o Conselho Nacional para o Controlo do HIV/SIDA (CNLS) para terem acesso a este dinheiro.

Os dinheiros do Fundo Global para o Burundi são canalizados através de um órgão coordenador chamado Programa de Intensificação e Descentralização para a luta contra o HIV/SIDA (PRIDE), que financia o CNLS que, por sua vez, paga aos activistas que trabalham com os seropositivos.

Segundo a Ministra da Saúde Pública e controlo de HIV/SIDA, Sabine Ntakarutimana, os problemas com a implementação do PRIDE causaram atrasos no desembolso dos fundos.

A instituição predecessora do PRIDE, um projecto chamado APRODIS, encerrou em finais de 2010 e, segundo Gerard Ntezahorigwa, chefe da rede de pessoas vivendo com o HIV na província de Mwaro, na região central do país, o intervalo entre o encerramento da APROIDS e a implementação do PRIDE resultou em várias mortes entre os pacientes.

Durante uma sessão do Senado em Agosto, Ntakarutimana apontou a ineficiência do pessoal como a principal causa da falta de medicamentos.

“Temos meios, mas há pessoas que não desempenharam devidamente o seu papel,” disse ela, para quem “a falha de facto aconteceu, mas não vai voltar a acontecer.”

Notícias Sapo – 09.09.2011

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