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Contracepção na adolescência

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As jovens portuguesas têm vindo gradualmente a recorrer a métodos contraceptivos e a ter relações sexuais mais cedo. No entanto, verifica-se que muitos dos jovens de ambos os sexos não recorrem ao uso de contraceptivos na sua primeira relação sexual, colocando-se em risco de doença e gravidez.

Sabemos que as consequências ligadas à saúde reprodutiva, como gravidezes indesejadas e infecções sexualmente transmissíveis (IST) são causas importantes de doença e mortalidade nos adolescentes e que estão relacionadas com os comportamentos por eles adoptados, que podem ser prevenidos.

As jovens portuguesas têm vindo gradualmente a recorrer a métodos contraceptivos e a ter relações sexuais mais cedo. No entanto, verifica-se que muitos dos jovens de ambos os sexos não recorrem ao uso de contraceptivos na sua primeira relação sexual, colocando-se em risco de doença e gravidez. Quanto às IST, os adolescentes são o grupo etário com maior risco de infecção, nomeadamente por HPV (Vírus do Papiloma Humano, responsável pelo cancro do colo do útero), vírus herpes e HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana Adquirida). Além disso, uma percentagem considerável já recorreu à pílula do dia seguinte.

A primeira recomendação que deve ser dada é a abstinência total ou o adiamento das relações sexuais até que os jovens estejam preparados para lidar com as suas consequências emocionais, físicas e financeiras. E isto porque a abstinência é, de facto, o método mais eficaz de evitar gravidezes indesejadas e IST.

No entanto, caso pretendam ter actividade sexual, desde que devidamente esclarecidos, orientados, alertados e preparados, a utilização do preservativo masculino deve ser ensinada e aconselhada a todos os rapazes e raparigas, porque é o único método disponível em Portugal que previne as IST. Como nenhum dos métodos hormonais dá esta protecção, mesmo que as jovens os utilizem, deve usar-se sempre o preservativo. O que eles necessitam de saber é que as IST são transmissíveis através de relações vaginais, orais, anais e outros contactos íntimos.

O preservativo masculino é um método acessível, disponível e é fácil de utilizar. O seu custo é baixo ou mesmo nulo, se os adolescentes os forem buscar a locais de atendimento de jovens (como o Instituto Português da Juventude) ou ao centro de saúde. Há dois tipos de preservativos disponíveis: de látex e de poliuretano. Os preservativos de látex são os recomendados, porque oferecem maior protecção contra as IST. Os de poliuretano estão indicados quando há alergia ao látex e são mais dispendiosos.

A pílula pode ser utilizada após a primeira menstruação e é o método contraceptivo hormonal de eleição nas raparigas. A principal indicação da pílula é a contracepção, mas ela tem outros efeitos (controlo do ciclo, síndrome pré-menstrual e acne) que podem ser bastante úteis na adolescência. Há pílulas que estão disponíveis no centro de saúde e que, portanto, as adolescentes podem adquirir gratuitamente (caso sejam seguidas na consulta de planeamento familiar) e outras que podem adquirir nas farmácias, comparticipadas e não comparticipadas.

Outros métodos estão disponíveis, sendo de destacar o implante com progestativo, que é um dispositivo hormonal (consiste numa cápsula alongada) colocado através de um procedimento cirúrgico simples no braço da adolescente. Tem a duração de 3 anos e é altamente eficaz. Existem ainda os adesivos cutâneos, que são aplicados directamente na pele seca, também altamente eficazes, tendo como principais vantagens o ser prático e fácil de aplicar. Todos os métodos contraceptivos hormonais referidos e outros não citados devem ser ponderados caso a caso, com o auxílio do médico assistente (médico de família, pediatra ou ginecologista).

É importante sempre relembrar que a contracepção de emergência é um método de recurso que deve ser usado quando o método habitual falha. Não é um método de rotina nem deve ser utilizado como tal. O abortamento não é considerado um método contraceptivo.

Sinta-se à vontade de consultar o seu médico para o esclarecer e orientar sempre que considerar necessário. É importante ajudar os jovens a descobrir que têm à sua disposição consultas de apoio à sexualidade juvenil e de planeamento familiar para os aconselhar. Tanto os rapazes como as raparigas devem ser esclarecidos e responsabilizados pela sua saúde reprodutiva e escolhas contraceptivas. A escolha de um método contraceptivo deve ser sempre supervisionada por um médico.

Nota: consultar artigo Porque é que é importante falar de educação sexual e contracepção?

*com a colaboração de Carla Moreira, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos, Braga

Ana Afonso*/educare.pt – 15.12.2010

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